A 2ª. Conferência Cidades Verdes foi realizada no Rio de Janeiro, nos dias 26 e 27 de janeiro. O evento contou com a participação 23 conferencistas do cenário ambiental urbano nacional e internacional.
Fundamentalmente, discutiu-se os megaeventos: Copa 2014 e Olimpíadas 2016.
No primeiro dia do encontro foram analisados os legados dos grandes eventos do passado para as cidades que os sediaram: Rio 92 e os Jogos Pan-Americanos, no Rio, e as Olimpíadas, na China e em Barcelona.
Também foram temas dos debates do primeiro dia do encontro as relações supranacional, nacional e local; as atribuições da Empresa Olímpica Municipal na integração das ações das instâncias envolvidas na preparação das Olimpíadas de 2016, e a real sustentabilidade dos eventos programados para os próximos anos.
Foi o Prof. Carlos Vainer (IPPUR) quem chamou, especialmente, a atenção para o estado de exceção criado pelos megaeventos, que fazem dessa exceção uma regra, onde tudo pode ser negociado. Este é um aspecto absolutamente relevante.
Porém, os megaeventos são fatos, que passam a justificar regras de exceção, numa cidade que requer um planejamento para o cotidiano.
O conferencista Dan Epstein relatou sua experiência em Londres, destacando os aspectos menos glamourosos dos eventos como a extrapolação de orçamentos, e a ausência de legado real em benefício das classes menos favorecidas, sem contar o gasto excessivo com o deslocamento de pessoal e negócios.
Ricardo Neves destacou a necessidade de se repensar a mobilidade da cidade do Rio de Janeiro, e citou como boa medida o exemplo do prefeito de Berlim que está reduzindo a frota local de carros. Mas isto, evidente, requer muito, muito planejamento do sistema de transporte. Um planejamento de médio e longo prazos, por equipes técnicas permanentes.
A pergunta é: será que até 2016 o planejamento da Cidade do Rio será de exceção? Tudo excetuado em função da Copa e Olimpíadas? E, depois, nos dias seguintes?
No segundo dia do encontro, com a presença de Fernando Gabeira, os debates giraram em torno da questão dos efeitos e a necessidade de prevenção do aquecimento global. O processo de reconstrução das economias de Friburgo e Teresópolis após as chuvas de 2011 foi debatido, com ênfase no aspecto crucial da falta de moradias para os desabrigados.
Os novos conceitos de defesa civil, e as inovações urbanas, com o objetivo de mitigar os efeitos das mudanças climáticas também estiveram na pauta de discussões, bem como o impacto das emissões de gases de efeito estufa emitidos pela CSA sobre do Rio de Janeiro, e a sugestão do reflorestamento do Maciço da Pedra Branca e da área de Sepetiba como medida mitigadora.