quarta-feira, 23 de novembro de 2011

ADEUS BATALHÕES MILITARES?

O Rio perderá a memória de seus batalhões ?

Recentemente, nosso Gabinete foi alertado por moradores da Tijuca, de que o 6° Batalhão de Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, situado no bairro, seria efetivamente demolido.

No final de outubro e início de novembro, os jornais noticiaram o plano do governador Sérgio Cabral de implantar, no próximo ano, um projeto piloto no 6° BPM.

Mas, e o histórico do prédio ?

De estilo arquitetônico imponente, o então Quartel Regional do Andaraí foi construído durante os anos de 1909/1910. Em 1922, o edifício foi ocupado pelo 1º Batalhão de Caçadores do Exército e, em 1924, passou a receber a designação de 6º, na Ordem numérica das Unidades da Corporação.

Conforme o projeto divulgado, o atual prédio do 6° batalhão seria demolido e, em seu lugar, seria construída uma unidade administrativa, com previsão de espaço para lazer e esportes, aberto ao público, definindo um novo conceito de PM. 



Segundo as notícias divulgadas na imprensa, as mudanças atingiriam não só o Batalhão da Tijuca, como também o Quartel General da Rua Evaristo da Veiga e todos os batalhões da cidade até 2014.

O projeto é considerado pelo governo como um dos quatro pilares que sustentam as 37 ações criadas pela Polícia Militar para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

O Quartel-General da Rua Evaristo da Veiga, situado no quarteirão que vai dos Arcos da Lapa à Cinelândia, seria demolido e reduzido a dois prédios separados pela capela, que seria preservada, por ser bem tombado. 


Imagem ilustrativa do Projeto do QG da Rua Evaristo da Veiga
Demolição indeferida e tombamento suspenso

O anúncio da demolição do 6º BPM causa espanto por ser este um imóvel construído antes de 1938 que, de acordo com o Decreto 20.048/2001, deveria estar protegido. Além disso, conforme o decreto, a demolição e/ou alteração desses imóveis só seriam autorizadas após o pronunciamento favorável do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural, independentemente de serem ou não tombados.

Assim, o fato de o prédio estar localizado em uma área considerada estratégica para os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo, esta não seria justificativa suficiente para o "bota abaixo".

O curioso é que em pesquisas no site SICOP - Sistema Único de Controle de Protocolo da Prefeitura – constam processos de solicitação de demolição arquivados, sendo um deles (02/276.196/2010) indeferido em 5/11/2010 pelo órgão responsável.

Por outro lado, de acordo com a Subsecretaria do Patrimônio, o processo de tombamento do 6º Batalhão faz parte de um conjunto de outros bens listados no cadastro dos bens do Andaraí, que está tramitando sob o número 12/002.232/1998 e, para nossa surpresa, encontra-se, há mais de um ano, no Gabinete do Prefeito, aguardando despacho para o tombamento...

Em qualquer lugar do mundo civilizado com alguma noção do que seja patrimônio histórico e cultural, independente do valor arquitetônico em questão, estas propostas causariam espanto.  É a memória do Rio que se esvai, sempre em planos mirabolantes, e muito pouco claros e difundidos...

E, sobretudo, planos e projetos não discutidos com a população, já que nem o Estado, nem o Município do Rio tem Conselhos de Cultura em funcionamento regular!

Leia mais: (link1)  (link2)

3 comentários:

Mauro disse...

O QG da Polícia Militar, na Rua Evaristo da Veiga, daria uma ótimo centro de artesanato. No Rio, não temos nada parecido com o Mercado Modelo de Salvador, com o Centro de Artesanato da Antiga Cadeia de Recife e outros. Além do que, seria uma ligação perfeita da Cinelândia com a Lapa. Uma idéia que poderia ser levada adiante...

Aloa disse...

A Rua Barão de Mesquita, onde está localizado o 6º Batalhão, precisa de reformas urgentes (tem vários postes no meio do asfalto, quando chove a rua enche). A Rua não comporta o trânsito intenso. Considero um verdadeiro absurdo destruir o belíssimo prédio do 6º batalhão. Do lado esquerdo desse prédio tem uma rua que é uma ladeira onde também tem vários imóveis que poderiam ser tombados. Se construírem ali um espigão vão destruir essa ladeira.

Sonia Rabello disse...

boas idéias.