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sexta-feira, 16 de março de 2012

Transporte público no Rio - Usuário em segundo plano

No Rio, já foi anunciado o aumento do valor da passagem do Metrô de R$ 3,10 para R$ 3,20, autorizado pela Agetransp, a agência do Governo do Estado, que fiscaliza o serviço prestado pelas concessionárias, para o próximo dia 2 de abril.

E você sabe quanto custa o bilhete único em Paris?

1,70 euros, ou R$ 3,99, com direito a deslocamento por toda a cidade.  Mas, se você compra o bilhete com 10 viagens há, obviamente, desconto: o carnet com 10 bilhetes custa € 12,70, equivalentes a R$ 29,84.  Já vai ficando mais barato do que no Rio Maravilhoso.

Em Paris, o Metrô se conecta com toda a rede do Metrô (veja a planta abaixo), e com toda a rede de ônibus que circula à vontade.

Planta do Metrô de Paris

Planta das linhas de ônibus de Paris
Mas, não é só isso: lá, quanto mais você anda de transporte coletivo, menos se paga, estimulando-se assim o uso do transporte público.  Para isso existem os bilhetes semanal, mensal e até anual.  O carnet semanal custa € 19,15 (R$ 45,00) e o mensal custa € 62,90 (R$ 147,81).

Só que tem mais um detalhe, que muda tudo. Com o bilhete semanal, mensal ou anual o usuário entra a qualquer hora e ilimitadamente em toda a rede de metrô da cidade, e em toda a rede de ônibus urbano, a qualquer hora, em qualquer dia, quantas vezes quiser.  

Se o usuário tiver que fazer 10 ou 20 deslocamentos em um dia da semana, ou mil viagens na semana, e ainda passear no final de semana, e tiver o bilhete semanal, ele pode fazê-lo à vontade.  

Este sistema funciona há décadas em Paris e em muitas outras cidades européias, a exemplo de Berlim, e americanas.  Mas aqui não. Essa democracia no acesso à cidade ainda não chegou.  

Para o usuário, que não tem carro, o preço da passagem é sinônimo de segregação espacial.

Integração mais cara

 
Crédito: Fernanda Dias / Extra
A partir da próxima segunda-feira, dia 19, o usuário que utiliza a integração metrô-trem pagará 17,85% a mais pelas duas conduções somadas, uma vez que as concessionárias SuperVia e MetrôRio, após 12 anos, decidiram suspender a "promoção" que mantinham, em conjunto.

Não haverá mais a venda de tíquetes integração e, em lugar de R$ 4,20, o passageiro que usar os dois transportes seguidamente, em seus itinerários, pagará o valor cobrado no Bilhete Único estadual, ou seja, R$ 4,95 ! 

A justificativa apresentada pelo MetrôRio foi o fato de haver "vulnerabilidade" no sistema de venda de tíquetes de papel no modelo integração. A empresa não explicou que vulnerabilidade seria essa.

Nossos governos, que se dizem modernos e eficientes, estão há anos luz da modernidade. Não conseguem se entender e nem articular, na Cidade do Rio, a conexão tarifária entre ônibus urbano e metrô!

E, apesar dos governos municipal e estadual se dizerem tão irmãos, parece que estão juntos para disputar o faturamento nas concessões de transportes públicos a empresas privadas que os exploram.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Planejamento urbano perdido: associações de moradores reagem

A cultura histórica do planejamento urbano não está do nosso lado, mas, mesmo assim...
 
Carmen L. Oliveira, em seu livro Flores Raras e Banalíssimas, conta-nos que, em 1963, Lota de Macedo Soares, presidente da comissão responsável pela construção do Parque do Flamengo, escreveu ao então governador Carlos Lacerda cobrando-lhe providências no sentido do estabelecimento de critérios claros, leia-se planejamento, em prol do parque e de sua futura preservação. A autora sugere que essas inúmeras advertências de Lota Macedo Soares ao governador o fizeram pensar que, além das obras específicas que empreendia – o túnel Santa Barbara, o plano habitacional, as novas adutoras e a rede de esgotos –, a cidade necessitava de um plano global.
 
Apesar das vozes de protesto, Lacerda contratou o grego Konstantinos Doxiades. Independente das restrições que se possa fazer ao Plano Doxiades, tratava-se de um plano urbanístico, instrumento que a cidade, até hoje, não possui. Quando o tem, como o Plano atual, aprovado em fevereiro de 2011, embora vago e genérico, suas diretrizes não são obedecidas: existem apenas para constar. Grandes vias estruturais são construídas e decisões sobre o Metrô são tomadas, sem qualquer preocupação em vinculá-las a um Plano de Transporte da Cidade. Ou melhor, não há nem Plano de Transporte Urbano, nem Plano Metropolitano!
 
Os Planos de Estruturação Urbana (PEU) de bairros, como o da Penha, que tramitam na Câmara de Vereadores, enviados antes mesmo do Plano Diretor (PD) ser aprovado, têm um conteúdo que não respeita as normas e diretrizes do PD e, mesmo assim, o Executivo não se preocupa nem em adaptá-lo, nem em revisá-lo. Aprovar as normas que densificam o bairro parece ser a única preocupação. Depois de aprovar as normas de densificação do bairro, ainda que estas contrariem o Plano Diretor, restaria o longo e sacrificado caminho da Justiça, como no caso do PEU das Vargens, agora questionado no Judiciário pelo Ministério Público. Parece que se conta com a inércia para que as coisas fiquem como sempre estiveram: sem compromisso sério com o planejamento.
 
A história de uma cidade desestruturada se repete ao longo destes 50 anos! Conta a autora acima citada, que documentos do Plano de Doxiades foram encontrados perdidos num canto do Palácio da Guanabara! Nunca foi aplicado, nem ele, nem os anteriores, e parece que nem o atual.
 
A gaveta parece ser o triste destino do planejamento da Cidade, ao menos até agora. Mas as organizações sociais e, sobretudo, as Associações de Moradores começam a reagir. Afinal, parece que somente isso trará resultados concretos.