segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

NO CARNAVAL, A RUA É DO POVO

Nesta época, as ruas são tomadas pelos blocos; e pelo Carnaval mais legítimo – o de rua, e que  acontece especialmente nos espaços públicos mais agradáveis: no Centro, em Santa Tereza, nos subúrbios, na orla marítima, entre outros. A duras penas, ele acontece na Avenida Rio Branco, onde os enfeites, pendurados nos postes altíssimos, somem entre os insossos prédios da avenida.

Carnaval de rua tem a ver com ruas com identidade e dimensões humanas, onde as pessoas não se sintam sufocadas ou oprimidas pelos frios espigões de cimento; ruas em diálogo com seus habitantes.

Talvez seja por este mesmo motivo que as cidades históricas mineiras se enchem de turistas que lá pretendem lotar os seus espaços públicos e casarões. São cidades que conservam símbolos externos de identidade, com dimensões humanas não sufocantes.

Conclusão: sem rua não há o verdadeiro Carnaval. Mas não é qualquer rua; tem que ser rua feita para gente. Sem isso, não há cidade. Sem cidade, não há Carnaval.

O Carnaval, a festa mais popular do Brasil, e a mais aglutinadora de todas, escolhe o espaço coletivo para o abraço popular. O mesmo espaço coletivo que, no dia a dia é desdenhado, tomado pelo veículo impávido, desprezado em suas calçadas e em sua conservação pelo poder público. No Carnaval o povo o retoma, e mostra a sua importância: é o espaço, por excelência, de agregação da comunidade. E a cidade se mostra, mais do que nunca, como bem e espaço coletivo, indivisível.

Duas são, portanto, as lições: o espaço público – onde as ruas são do povo, do cidadão, que por elas passa todos os dias, e é em prol dele que elas devem ser dimensionadas e conservadas. E, dois: a rua, para ser agradável, e devidamente fruída, deve ser protegida do esmagamento pelos prédios que lhe ladeiam. Deve também conservar a identidade com seus moradores do bairro, que formam sua comunidade.

Hoje, chamamos as favelas de comunidades para desmistificar a carga negativa do nome original. Quiçá elas virem bairros. E os bairros virem comunidades no sentido de lhes atribuir o valor do cuidado e da estima coletiva de seus moradores. E a rua, o espaço coletivo amplo, agradável, cuidado, iluminado – é a via, o caminho.

Quais as regras que temos em nossa cidade para dimensioná-la, conservá-la, e mantê-la? Eu não sei, ou só sei mais ou menos, mas vou pesquisar!

2 comentários:

romay disse...

Sonia, estive pesquisando a origem da palavra bairro, às vezes utilizada como contraposição à palavra favela. Vem do vocábulo mouro "baihr" ou "bairr"(antigo Lello Postuguês)que significa alhures, além dos muros das cidades. Ou seja, aquelas ocupações ao redor do burgo, geralmente de camponeses atraídos pela economia urbana. Na evolução das cidades os bairros podem surgir espontaneamente ou planejadamente. Entendo que uma favela pode ser bairro mesmo sem infraestrutura ou regularidade de ocupação e uso - o que, aliás, é muito comum nas cidades brasileiras.
Abração!

Sonia Rabello disse...

Interessante! Tudo é cidade...
SR